O Brasil quer fazer parceria com qualquer país que queira explorar as terras raras nacionais, desde que dentro do nosso território. É o que voltou a dizer nesta segunda-feira (18) o presidente Lula.

“A gente vai ter que contar com a inteligência e a ciência para a gente dar um salto de qualidade, e ver se, num curto espaço de tempo, a gente faz com que o Trump deixe de brigar com o Xi Jinping e venha se associar a nós para que a gente possa explorar aqui. Não temos veto a ninguém. Aqui pode vir chinês, alemão, francês, pode vir quem quiser, desde que tenha a consciência de que o Brasil não abre a mão da sua soberania. Os minerais críticos são nossos, as terras raras são nossas, e as pessoas que querem explorar aqui dentro.“
Lula citou os minerais críticos e as terras raras durante a conferência de apresentação de quatro novas linhas de luz síncroton, do acelerador de partículas Sirius, que fica no Centro Nacional de Pesquisa em Energia e Materiais, em Campinas, interior de São Paulo.
Apesar do nome complexo, essas linhas de luz são um tipo de radiação eletromagnética em raio X muito potente, capaz de “revelar características da estrutura molecular e atômica de uma matéria”. Com isso, o Brasil amplia a capacidade de pesquisa em “áreas estratégicas como saúde, energia, agricultura, clima, nanotecnologia e novos materiais”.
Ciência brasileira
Na ocasião, o presidente Lula afirmou que o Brasil só tem 30% de conhecimento do que possui no território. Segundo ele, vale investigar de que forma o Sírius pode contribuir para mapear melhor os minerais críticos no Brasil.
A ministra da Ciência, Tecnologia e Inovações, Luciana Santos, também participou do evento e destacou a importância do Centro de Pesquisa para a soberania da ciência brasileira.
“Antes do Sirius, pesquisadores, pesquisadores brasileiros dependiam de laboratórios estrangeiros para realizar estudos avançados em materiais, proteínas, vírus e tecnologias estratégicas, o que atrasava pesquisas e limitava profundamente a capacidade do Brasil de produzir conhecimento em áreas fundamentais. O Brasil passou a integrar um grupo extremamente restrito e selecionado de países que dominam a tecnologia de fontes de luz síncrotron de quarta geração.“
O acelerador de partículas Sirius tem 68 mil metros quadrados e atua como um “supermicroscópio”. Essa máquina, segundo a ministra, é a maior e mais complexa “infraestrutura científica já construída no Brasil e uma das mais avançadas fontes de luz síncrotron do mundo”.
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