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Em entrevista ao WP, Lula afirmou que pretende investir na relação com Trump para conter “falsidades” disseminadas nos EUA

Redação Por Redação
17 de maio de 2026
Em Notícias
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Em entrevista ao WP, Lula afirmou que pretende investir na relação com Trump para conter “falsidades” disseminadas nos EUA
Twitter1128254686redacaobcn@gmail.com



O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou, em entrevista ao jornal O Washington Post publicado neste domingo (17), que pretende aprofundar sua relação pessoal com o chefe do Executivo dos Estados Unidos, Donald Trump, para neutralizar o que chamou de “falsidades” divulgadas por Eduardo Bolsonaro sobre o Brasil e sobre sua gestão junto ao governo americano.

Em entrevista concedida em 7 de maio na Casa Branca após o encontro com o republicano, Lula afirmou que manter um canal direto com Trump é uma forma de reduzir o esforço diplomático, evitar novas tarifas comerciais e impedir que aliados da família Bolsonaro influenciem a política externa dos Estados Unidos contra o Brasil.

“Eu nunca pediria ao Trump para não gostar do Bolsonaro. Isso é problema dele”, disse Lula ao jornal americano. “Eu não preciso fazer nenhum esforço para ele saber que sou melhor do que Bolsonaro. Ele já sabe disso”, argumentou.

A declaração ocorreu após uma mudança na relação entre Brasília e Washington. Há menos de um ano, Trump havia imposto tarifas de 50% sobre produtos brasileiros e aplicadas contra autoridades do país em resultado do julgamento do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), condenado pelo Supremo Tribunal Federal (STF) por tentativa de golpe de Estado.

Segundo o Washington Post, Lula agora tenta transformar a reaproximação com Trump em um ativo político às vésperas da disputa presidencial de outubro, que deve colocá-lo diante do senador Flávio Bolsonaro, pré-candidato pelo PL.

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Investimentos, pragmatismo e soberania

Desde setembro do ano passado, os dois líderes já se encontraram três vezes e conversaram por telefone em quatro benefícios. O americano passou a elogiar Lula publicamente, chamando-o de “dinâmico” e “inteligente”, além de aliviar parte das tarifas e suspender as sanções aplicadas anteriormente ao Brasil.

Segundo o petista, a relação pessoal com Trump pode ajudar o Brasil a atrair mais investimentos americanos, reduzir riscos de novas taxas e garantir o respeito internacional à democracia brasileira. Lula afirmou que as divergências ideológicas entre os dois permanecem profundas, mas não devem impedir uma relação pragmática entre os governos.

Na visão de Lula, a proteção das relações diplomáticas no ano passado ocorreu justamente pela percepção de interferência americana em assuntos internos do Brasil. O presidente brasileiro voltou a dizer que não aceitará pressões externas sobre decisões do Judiciário ou sobre o processo contra Bolsonaro.

“Quem abaixa a cabeça pode não conseguir levantá-la novamente”, afirmou Lula, ao gravar um ensinamento de sua mãe, Dona Lindu. “O Brasil tem muito orgulho do que é. Nós não temos que nos curvar a ninguém.”

Em outro momento, Lula reforçou o discurso de soberania nacional que passou a adotar após o agravamento das tensões com Washington em 2025. “O que eu quero é que ele trate o Brasil com respeito, entendendo que eu sou o presidente democraticamente eleito aqui.”

“Consegui fazer Trump sorrir”, diz Lula

O presidente relatou ao jornal detalhes do encontro recente na Casa Branca. Segundo ele, ao caminhar ao lado de Trump pelo corredor com retratos presidenciais, brincou com a expressão séria do americano nas fotos. “Você não sabe sorrir?”, perguntou Lula, segundo seu próprio relato.

Trump respondeu que escolhas de líderes sérios. Lula rebateu: “Só durante a eleição. Agora que você está governando, pode sorrir um pouco. A vida fica mais leve quando sorrimos.”

A partir desse episódio, Lula resumiu sua estratégia diplomática em uma frase que virou destaque da entrevista: “Se eu consegui fazer Trump rir, posso conseguir outras coisas também.” E acrescentou: “Você não pode simplesmente desistir.”

Multilateralismo e ascensão à direita

Ó Washington Post destacou que a postura marca uma ruptura em relação ao alinhamento automático bloqueado por Bolsonaro com Trump durante seu governo. Segundo o veículo, Lula tenta se apresentar como um líder capaz de dialogar com a direita global sem abandonar posições históricas da esquerda latino-americana.

A entrevista também citou a visão de Lula sobre a crise do multilateralismo e sobre a ascensão global de movimentos populistas de direita. O presidente afirmou que as democracias perderam o apoio popular ao deixarem de responder às demandas mais básicas da população.

“A democracia falhou quando deixou de responder às aspirações mais básicas das pessoas”, disse. “Então qualquer idiota que fale contra o sistema acaba sendo aplaudido”, criticou.

Facções criminosas, Irã e bomba nuclear

Uma das maiores preocupações de Lula é com a política externa de Trump para a América Latina, sobretudo diante da possibilidade de os Estados Unidos classificarem facções brasileiras como PCC e Comando Vermelho como organizações terroristas estrangeiras — medida defendida pelos aliados de Flávio Bolsonaro. “Os Estados Unidos não vão fazer isso com o Brasil”, afirmou o mandatário.

O presidente também criticou a postura de confronto de Trump em relação ao Irã. Lula disse que entregou pessoalmente ao americano uma cópia do acordo nuclear negociado em 2010 entre Brasil, Turquia e Irã, tentando convencê-lo de que Teerã não estaria reconstruindo um programa nuclear militar.

“Não é verdade que o Irã está novamente tentando construir uma bomba atômica”, afirmou Lula. Segundo ele, Trump prometeu ler o documento. E reforçou: “Trump sabe que eu me oponho à guerra com o Irã, discordo da intervenção dele na Venezuela e condeno o genocídio que está acontecendo na Palestina”, afirmou. “Mas minhas divergências políticas com Trump não interferem na minha relação com ele como chefe de Estado.”

Para o brasileiro, a política externa americana baseada em confronto começa a produzir efeitos negativos inclusivos dentro dos Estados Unidos. “Trump tem responsabilidade por isso”, disse, em referência ao aumento de preços para consumidores americanos decorrente das disputas comerciais e geopolíticas.

Lula revela incômodo com perda de espaço dos EUA para China

Em outro trecho, Lula afirmou que deseja uma relação mais equilibrada dos EUA com a América Latina e indicou preocupações com o espaço perdido pelos americanos para a China na região.

“A China descobriu e entrou na América Latina”, afirmou. “Hoje, meu comércio com a China é duas vezes maior do que meu comércio com os Estados Unidos. E essa não é a preferência do Brasil.”

“Se os Estados Unidos quiserem voltar para a frente da fila, ótimo”, acrescentou. “Mas eles precisam querer isso.”

Apesar de Tom conciliador em relação a Trump, Lula afirmou permanecer preocupado com o enfraquecimento das instituições multilaterais e com o avanço da polarização internacional. Ainda assim, disse acreditar que a negociação continua sendo o único caminho possível.

“Espero que Trump possa ser reforçado de que os Estados Unidos possam desempenhar um papel muito mais importante fortalecendo a paz, a democracia e o multilateralismo”, afirmou. “Vai ser difícil? Sim. Mas se eu não acreditasse na persuasão, eu não estaria na política.”

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Tags: afirmouamérica latinabomba atômicaChinaComando Vermelhoconterdemocraciadisseminadasdonald trumpEduardoBolsonaroEleições 2026entrevistaeuaEUA - Estados Unidosfalsidadesflavio bolsonaroinvestirJairBolsonaroJudiciáriolulanospalestinaparaPCCpretenderelaçãoTrumpturquiaVenezuelaWashington
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