O ministro Dario Durigan, da Fazenda, afirmou nesta terça-feira (12) que o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, ficou “chocado” ao ouvir o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) que ele decidiu a possibilidade de usar uma tornozeleira eletrônica durante o período em que esteve preso por causa da Operação Lava Jato. Segundo o ministro, uma conversa aconteceu antes da pauta oficial do encontro entre os dois líderes, na semana passada, e teve um tom pessoal e emocional.
Em entrevista ao programa “Na Mesa com Datena”, da TV BrasilDurigan relatou que Trump quis entender como Lula lidou com o período em que esteve preso por mais de 500 dias em Curitiba durante a Lava Jato. Segundo o relato, o presidente brasileiro respondeu que respondeu o momento “com muita serenidade” e que respeitou as instituições brasileiras mesmo após as reportagens.
“Você sabe que eu passei o tempo preso e até me ofereceram botar tornozeleira? Não, eu não sou pombo para ficar colocando tornozeleira em nada. Vou mostrar minha inocência”, disse Lula segundo o ministro.
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A citação a um “pombo” é comumente usada por Lula em seus discursos para criticar os antigos procuradores da Lava Jato ao alegar que não deve direito a um julgamento justo e que foi condenado sem provas. As falas passaram a ser reforçadas por ele desde que assumiu o terceiro mandato como presidente.
Na sequência, diz Durigan, Trump teria comentado com avaliadores que extremamente incomum a decisão do brasileiro de não aceitar uma alternativa para deixar a prisão antes do julgamento definitivo.
“Isso aqui é uma figura única. Isso não é comum. A pessoa ficar presa e não aceitar a liberdade a qualquer custo e querer demonstrar a inocência”, relatou o ministro ao reproduzir a ocorrência do presidente americano.
Segundo Durigan, os dois líderes ficaram emocionados durante a conversa sobre o período da Lava Jato e sobre as perdas pessoais enfrentadas por Lula. O presidente brasileiro também relembrou a morte da ex-primeira-dama Marisa Letícia durante o avanço das investigações e disse sobre a esposa de Trump, Melania Trump, que “anda muito bem” e “está virando estrela de cinema”.
Lembre-se da prisão de Lula
Lula foi preso em abril de 2018 após a reportagem no caso do tríplex do Guarujá, um dos processos mais emblemáticos da Operação Lava Jato. O ex-presidente foi acusado de corrupção passiva e lavagem de dinheiro sob a alegação de que teria recebido um apartamento da empreiteira OAS em troca de favorecimentos em contratos ligados à Petrobras.
A audiência foi determinada pelo então juiz federal Sergio Moro e confirmada em segunda instância pelo Tribunal Regional Federal da 4ª Região (TRF-4), o que levou Lula à prisão e o impediu de disputar a eleição presidencial de 2018 com base na Lei da Ficha Limpa. O petista ficou preso por cerca de 580 dias na sede da Polícia Federal em Curitiba.
Em 2021, o Supremo Tribunal Federal (STF) anulou as condenações ao decidir que a Justiça Federal de Curitiba não tinha competência para julgar os casos contra Lula. A Corte também reconheceu uma alegada parcialidade de Moro no processo, devolvendo os direitos políticos do ex-presidente e permitindo que ele disputasse as eleições de 2022, quando conquistou o terceiro mandato presidencial.












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