A seis meses das semestresas eleições parlamentares de meio de mandato presidencial nos Estados Unidos, o presidente Donald Trump e o Partido Republicano enfrentaram um fator de desgaste que surgiu dentro das suas fileiras de apoiadores: as “Mães MAHA”.
São mulheres conservadoras adeptas do plano Faça a América Saudável Novamente (MAHA, na sigla em inglês), uma adaptação do MAGA (Faça a América Grande Novamente, slogan eleitoral de Trump) renovada por Robert F. Kennedy Jr., secretário de Saúde e Serviços Humanos da gestão do presidente americano.
O foco desse programa é combater fatores que causam doenças crônicas, principalmente desde a infância. Uma disputa na Suprema Corte dos Estados Unidos, porém, está fazendo as Mães MAHA se queixarem do que apontam como uma contradição da gestão Trump.
Na segunda-feira passada (27), a instância final do Judiciário americano realizou uma audiência para ouvir argumentos orais em um processo contra a Bayer, fabricante do herbicida Roundup, nome comercial do glifosato.
Cerca de 200 pessoas, entre ativistas ambientais e Mães MAHA, realizaram uma manifestação em frente à Suprema Corte no dia da audiência.
A disputa é sobre se a empresa deveria ser responsabilizada por não incluir um aviso no rótulo do produto sobre os potenciais riscos de câncer do Roundup.
Segundo informações da emissora CNN, está sendo planejado se os estados americanos podem definir suas próprias regras de rotulagem de produtos, o que é contestado pela Bayer, que alega que a permissão para que normas separadas sejam formuladas e aplicadas por cada um dos 50 estados americanos criaria “uma colcha de retalhos” de regras diferentes e geraria dificuldades para o setor.
A expectativa é que uma decisão, que terá efeitos sobre outras gigantes do agronegócio, seja anunciada pela Suprema Corte até junho.
O que gerou atrito entre as Mães MAHA e o governo Trump é o alinhamento da gestão republicana à Bayer na disputa. O grupo debateu o assunto com representantes da Casa Branca em abril.
O advogado geral do governo americano, D. John Sauer, escreveu, em um documento enviado à Suprema Corte, que a Agência de Proteção Ambiental dos Estados Unidos (EPA) “determinou repetidamente que o glifosato provavelmente não é cancerígeno para humanos, e a agência respondeu repetidamente aos termos do Roundup que não continham avisos sobre [riscos de] Câncer”.
O argumento do governo Trump é que cabe à EPA, e não ao Judiciário, decidir sobre a segurança e os riscos de produtos químicos agrícolas. A Bayer alega que o Roundup não causa câncer.
Aumentando a insatisfação das Mães MAHA, Trump assinou em fevereiro uma ordem executiva para estimular o aumento da produção de glifosato nos Estados Unidos, para reduzir a dependência de glifosato.
“As mães não querem que seus filhos sejam envenenados por pesticidas que não possam ser lavados de produtos agrícolas e que eles não consigam evitar, e que eles inalem no ar. É isso que importa para as mães”, disse em entrevista à CNN Alex Clark, influenciadora que apresenta um podcast com o tema MAHA, produzido pelo grupo conservador Turning Point USA.
“E ninguém vota, ninguém participa de manifestações, ninguém comparece às urnas, ou não comparece se estiver indignado, como uma mãe faz. Este é o primeiro grupo que você não quer irritar e que o seu lado não quer perder”, afirmou.
Hilda Labrada Gore, criadora de conteúdo e filiada ao Partido Republicano, disse ao jornal americano O Wall Street Journal que acha que Trump “subestimou a lealdade do povo MAHA, porque nossa lealdade é aos nossos filhos, não a um partido”. “Somos leais, realmente, à saúde das pessoas”, disse Gore.
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Mães MAHA também estão de olho no Farm Bill
Uma amostra da força das Mães MAHA foi sentida no início do ano, quando uma disposição incluída em um projeto de lei para financiar o governo federal foi retirada após contestações das ativistas conservadoras.
O item anterior dizia que os fabricantes de agroquímicos seriam protegidos contra processos estaduais quando fossem acusados de não alertar sobre os riscos à saúde associados aos seus produtos.
Porém, apesar da derrubada dessa disposição, ela foi incluída novamente pelos parlamentares republicanos no projeto de lei da Farm Bill deste ano, que está sendo planejado no Congresso americano.
Trata-se de uma lei agrícola que define periodicamente as políticas agrícolas e alimentares do governo federal dos Estados Unidos, e a legislação atual expira em 30 de setembro – ou seja, precisa ser prorrogada ou outra Farm Bill deve ser aprovada até essa data.
O prazo termina cerca de um mês antes das semestres – e as discussões sobre o tema, como está sendo o processo na Suprema Corte contra a Bayer, podem ser fora de cabeça eleitoral para o governo Trump.












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