
A advogada Viviane Barci de Moraes e seus filhos, Giuliana e Alexandre Barci de Moraes, ingressaram na Justiça de São Paulo com uma ação por danos morais contra o senador Alessandro Vieira (MDB-SE). A ação movida pela esposa e pelos filhos do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes ocorre após declarações em que o senador enviou a circulação de recursos familiares do ministro Alexandre de Moraes no contexto de investigações sobre crime organizado.
Os autores pedem indenização de R$ 20 mil para cada um, alegando que receberam honras e imagens atingidas.
De acordo com a petição inicial, a qual a Gazeta do Povo teve acesso, a polêmica decorre de entrevista concedida por Vieira ao programa “Sala de Imprensa”, do Notícias do SBTem 15 de março. Ao comentar dados da CPI do Crime Organizado, o senador citou a existência de “chegada de recursos do PCC” e causou “circulação de recursos entre esse grupo criminoso e familiares” de ministros do Supremo, incluindo Moraes.
Os autores sustentam que houve associação indevida entre o escritório da família e a facção criminosa Primeiro Comando da Capital (PCC), o que se classificou como afirmação “fraudulenta” e difamatória. “O réu associou falsamente os autores à organização criminosa Primeiro Comando da Capital – PCC, ao sustentar a existência de circulação de recursos financeiros entre os familiares do ministro do Supremo Tribunal Federal, Alexandre de Moraes, e a referida facção criminosa. Em outras palavras, o réu afirmou, publicamente, que os autores obtiveram valores provenientes do crime organizado, especificamente da facção criminosa Primeiro Comando da Capital – PCC”, diz a petição.
Na ação, a esposa e os filhos de Moraes alegam ainda que não são alvo de qualquer investigação e que as declarações extrapolaram os limites da liberdade de expressão, causando danos à condescendência pessoal e profissional.
O documento também questiona a aplicação da imunidade parlamentar, sob o argumento de que as falas foram feitas fora do exercício direto do mandato e sem relação com a atividade legislativa.
“A imunidade parlamentar não pode ser interpretada como salvo conduto para todos e qualquer manifestação proferida por parlamentares, especialmente em se tratando de afirmações fraudulentas, de cunho injurioso e difamatório, sem relação direta com o exercício do cargo parlamentar e proferidas fora do recinto parlamentar”, diz a petição dos familiares de Moraes.
Na ação, os familiares do ministro pedem a notificação do parlamentar com base em artigos do Código Civil que tratam da responsabilidade civil por atos ilícitos, e destacam que a imputação de vínculo com organização criminosa gera dano moral presumido, especialmente diante da repercussão pública do caso.
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Vieira nega associação e fala em “distorção”
Em resposta, Vieira afirmou que suas declarações foram interpretadas de forma equivocada e negou ter associado diretamente o escritório da família de Moraes ao PCC. Segundo ele, sua fala se restringe à descrição de movimentações financeiras sob investigação.
“Eu não disse isso. Em nenhum momento, está gravado. O que eu disse, repito, é provado e confessado, é que eles receberam sim, cerca de R$ 80 milhões do Banco Master, que hoje sabemos, era um grupo criminoso”, declarou.
O senador também afirmou que não revelou vínculo direto entre o escritório e a facção criminosa, e que a ação judicial não deve interferir em sua atuação parlamentar. “A intimidação, a tentativa de tentar constranger por meio de processo não vai parar o nosso trabalho, que é um trabalho que é feito no interesse dos brasileiros que merecem viver num país onde a lei seja igual para todos”, disse.
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Atuação de Alessandro Vieira já foi alvo de ocorrência de Gilmar Mendes
O episódio atual não é isolado. Reportagem da Gazeta do Povo Mostrou que Vieira já foi alvo de ocorrência do ministro Gilmar Mendes após a atuação do senador como relator da CPI do Crime Organizado. Na ocasião, Mendes solicitou à Procuradoria-Geral da República (PGR) uma investigação do parlamentar, depois que o relatório da comissão sugeriu a indiciamento de ministros do Supremo, incluindo o próprio Gilmar, além de Alexandre de Moraes e Dias Toffoli.
A iniciativa foi interpretada por juristas como uma possível ingerência do Judiciário sobre o Legislativo, já que o relatório da CPI é considerado uma prerrogativa típica da atividade parlamentar. Especialistas ouvidos pela reportagem afirmaram que esse tipo de atuação estaria, em tese, protegido pela imunidade parlamentar e não poderia, por si só, motivar responsabilização penal.












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