
Em entrevista ao jornal espanhol El País publicada nesta quinta-feira (16), o presidente Luiz Inácio Lula da Silva criticou seu homólogo americano, Donald Trump, pela guerra dos americanos e de Israel contra o Irã, iniciada em 28 de fevereiro e atualmente em cessar-fogo, e também afirmou que políticos ligados ao ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) não voltarão a governar o Brasil.
Na entrevista, o petista defendeu conversas entre grandes e médias potências para evitar conflitos pelo mundo e disse que falou sobre o tema com o ditador chinês, Xi Jinping, o primeiro-ministro indiano, Narendra Modi, o ditador russo, Vladimir Putin, e o presidente francês, Emmanuel Macron.
“O Trump não tem o direito de acordar de manhã e achar que pode ameaçar um país. Ele não foi eleito para isso, o mundo não lhe dá direito disso, a Constituição americana não isso garante e muito menos a Carta da ONU. Então, o que está faltando? Está faltando lideranças políticas assumem a responsabilidade. Do mundo, não de um país, por mais importante que seja esse país”, acrescentou o petista.
Na entrevista, Lula defendeu o regime de Cuba, onde Trump sugeriu que uma operação militar seria realizada após o fim da guerra no Irã.
“Não tem explicação um bloqueio durante 70 anos. Se as pessoas que não amam de Cuba, que não amam o regime cubano, têm uma preocupação com o povo cubano, por que essas pessoas não se preocupam com o Haiti, que não tem regime comunista? Cuba precisa de chance para fazer as coisas”, disse o petista.
A respeito das tarifas de 50% que os Estados Unidos aplicaram às importações do Brasil no ano passado, que foram suspensas na maior parte devido à inflação dos alimentos nos EUA e à decisão de fevereiro da Suprema Corte americana, Lula disse que os argumentos de Trump para importar que as sobretaxas não eram “verdadeiros”.
“Resolvi ter muita paciência com relação à tributação do Trump e disse para ele, textualmente, que era importante que dois países governados por dois homens de 80 anos tenham maturidade na hora de conversar”, afirmou o presidente brasileiro. “Dois chefes de Estado não têm que pensar ideologicamente.”
A respeito da eleição presidencial de outubro, na qual as pesquisas indicam que seu principal adversário deve ser o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), Lula disse que está se preparando para um quarto mandato e que sua reeleição é “plenamente possível”.
“Posso te dizer que o bolsonarismo não voltará a governar este país. Porque o povo vai preferir a democracia”, afirmou.

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