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Empate com Flávio Bolsonaro leva Lula a mudar estratégia do PT

Redação Por Redação
6 de abril de 2026
Em Notícias
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Empate com Flávio Bolsonaro leva Lula a mudar estratégia do PT
Twitter1128254686redacaobcn@gmail.com


O avanço do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) – como apontado pela pesquisa mais recente do instituto Paraná Pesquisas – levou o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) a abandonar a cautela e adotar uma estratégia mais agressiva para a disputa eleitoral. Além de incentivar aliados a intensificar as críticas ao adversário, o PT passou a tratar o chamado “pacote de segurar” como eixo central da disputa eleitoral, em meio às críticas internacionais sobre a comunicação do governo.

O levantamento do instituto Paraná Pesquisas, divulgado em 30 de março, mostrou Flávio Bolsonaro com 45,2% das intenções de voto, enquanto Lula registrou 44,1% em um dos cenários de um eventual segundo turno.

Em São Paulo, maior colégio eleitoral do país, pesquisa da Atlas/Estadão, publicada na quarta-feira (1º), registra 49% para o senador, contra 44% do petista, também no cenário do segundo turno.

Com o cenário apontado pelos dois institutos, Lula resolveu elevar o tom contra o adversário e passou a estimular ministros e dirigentes do PT a adotarem uma postura mais proativa contra o senador. Em recente reunião ministerial, o presidente reforçou a necessidade de intensificar a comunicação das ações do governo e cobrou maior engajamento dos auxiliares.

O próprio petista orientou que os ministros “vão para cima” na defesa da gestão, destacando realizações e buscando ocupar espaço no debate público de forma mais assertiva. O principal descontentamento entre os assessores do Palácio do Planalto diz respeito aos efeitos dos programas sociais junto ao eleitorado.

A aposta dos governistas foi de que a isenção do Imposto de Renda (IR) para quem ganha até R$ 5 mil e a ampliação dos programas Gás para o Povo e Pé-de-Meia ajudaram a conter o derretimento da popularidade de Lula. Contudo, a afirmação de Flávio Bolsonaro e o cenário de polarização, ainda durante a pré-campanha, lançaram um alerta no Palácio do Planalto e dentro do PT.

Apesar das dificuldades, a aposta política do governo segue sendo o chamado “pacote de holds”. A estratégia inclui dar maior visibilidade aos programas já existentes e associá-los diretamente à gestão petista, além de intensificar a presença de ministros e lideranças partidárias na defesa das iniciativas.

Durante o almoço com a executiva e a bancada do PT na Câmara, o presidente do PT, Edinho Silva, citou o PL, partido de Flávio Bolsonaro, já havia constituído um robusto corpo jurídico e uma assessoria de comunicação. No encontro, Edinho instruiu que os deputados reproduzissem mais o discurso de Lula e buscassem maior alinhamento à comunicação do governo.

Antes disso, o próprio presidente do PT já havia admitido que a sigla atravessa um momento desafiador no diálogo com a sociedade. “O que nós temos que entender é que nós estamos vivendo, de fato, um momento difícil, de acirramento da conjuntura e de uma dificuldade imensa de dialogar com a sociedade brasileira. Isso nós não podemos negar”, declarou.

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Governo Lula entra na rota de questões, e a comunicação vira alvo de críticas

A reorientação da estratégia eleitoral ocorre em meio a um ambiente de tensão dentro do próprio governo. Em reunião ministerial, o chefe da Casa Civil, Rui Costa, fez críticas públicas à comunicação do Planalto e cobrou maior efetividade na divulgação das ações de gestão, em um episódio interpretado por aliados como sinal de desgaste interno.

Durante o encontro, Costa questionou se a população tem conhecimento das realizações do governo e citou nominalmente o ministro da Secretaria de Comunicação, Sidônio Palmeira. A fala gerou constrangimento entre os presentes e expôs divergências sobre a condução da estratégia de comunicação em um momento de queda da popularidade de Lula.

Segundo relatos recolhidos pela reportagem, o titular da Secom apresentou complicações e buscou rebater as críticas, atribuindo parte das dificuldades às decisões herdadas da fase inicial do governo. Nos bastidores, integrantes do governo avaliam que há um descompasso entre o volume de medidas anunciadas e a percepção do eleitorado.

Ainda durante o encontro, o ministro da Secom anunciou que, a partir da semana seguinte, o governo vai veicular comerciais por estados mostrando as principais obras e entregas de Lula nas regiões do país. O alcance da medida direcionada, no entanto, é visto como limitado. Por isso, Sidônio pediu aos colegas que fizessem uma divulgação orgânica das ações do governo.

Após a repercussão sobre o debate com o chefe da pasta da Comunicação, Rui Costa minimizou o episódio e negou ter feito críticas aos colegas. “Ao contrário, quero parabenizar pelo trabalho excepcional que ele fez, que ele vem fazendo. Ele deu uma virada positiva na comunicação do governo”, afirmou em entrevista à GloboNews.

Programas sociais seguintes relevantes, mas perdas forçadas isoladas, diz analista

Na avaliação do cientista político Lucas Fernandes, coordenador de Análise Política da BMJ Consultores Associados, os programas sociais continuam sendo ativos eleitorais importantes, mas já não têm o mesmo peso determinante das eleições anteriores. No cenário de polarização, os efeitos das apostas de Lula para recuperar o eleitorado tendem a ser limitados.

“As políticas públicas ainda são muito relevantes. Basta ver que nenhum candidato competitivo hoje se posiciona contra o Bolsa Família. É um programa consolidado e que segue sendo definidor de voto”, afirmou.

Segundo ele, o desafio atual do governo é menos na existência dessas políticas e mais na capacidade de atender às demandas de um eleitorado mais diverso e com expectativas mais amplas. “A realidade mudou. Essas políticas não são tão determinantes quanto eram antes e muitas vezes não respondem aos anseios prioritários das famílias”, disse.

Fernandes destaca que medidas recentes tendem a alcançar apenas parcelas específicas da população, o que limita seu impacto eleitoral mais amplo. “Algumas ações afetam segmentos específicos, como trabalhadores formais, enquanto uma parte significativa da população está na informalidade e não se beneficia diretamente”, explicou.

Para o analista, o problema enfrentado pelo governo não se resume à comunicação, mas também à escolha do público-alvo das políticas. “Não é apenas uma questão de comunicar melhor. Há também um desafio de direcionamento, de escolher corretamente quais segmentos da população serão atendidos por cada política pública”, afirmou.

Está disponível ainda que, num cenário de maior complexidade social e fragmentação do eleitorado, apenas uma única medida será capaz de gerar impacto eleitoral amplo. “Talvez não existe mais uma “bala de prata”. As políticas podem ser bem recebidas por determinados grupos, mas ter efeito limitado quando se olha o conjunto do eleitorado”, disse.

Fernandes também pondera que a economia segue sendo relevante, mas perdeu protagonismo como fator isolado na decisão do voto. “O eleitor não vota apenas pela economia. Em um cenário de polarização, ele também busca candidatos que representem sua visão de mundo e valores”, afirmou.

Metodologia das pesquisas

O instituto Paraná Pesquisas reuniu 2.080 participantes entre os dias 25 e 28 de março de 2026. O nível de confiança é de 95%, e a margem de erro é de 2,2 pontos percentuais, para mais ou para menos. Registro no TSE nº BR-00873/2026.

A pesquisa Atlas/Estadão foi realizada entre os dias 24 e 27 de março, ouvindo 2.254 participantes de São Paulo por recrutamento digital aleatório. A margem de erro é de 2 pontos percentuais, para mais ou para menos, e o nível de confiança é de 95%. O levantamento foi registrado no TSE sob o protocolo BR-01079/2026.

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