‘Vivemos um racismo ambiental em todas as áreas da pesca do Rio Una’, diz quilombola de Cabo Frio
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Rio Una totalmente poluído por conta do despejo de esgoto em Cabo Frio Luciano Fischer O Rio Una, que corta a Região dos Lagos e deságua na Praia Rasa, no limite dos municípios de Cabo Frio e Armação dos Búzios, tem sido alvo de denúncias sobre o despejo irregular de esgoto. Nas últimas semanas, os moradores destacam que a cor da água e da espuma mudou e que o mau cheiro também piorou. Nesta terça-feira (31), o Ministério Público Federal (MPF) encaminhou um ofício às prefeituras de Cabo Frio e Búzios e à supervisão de água Prolagos solicitando que no prazo de 20 dias, os relatados respondam sobre os impactos do desespero de esgoto no meio ambiente e na comunidade quilombola. Um dos principais grupos afetados é o quilombo de Maria Joaquina, localizado em Cabo Frio, que vive da pesca artesanal, onde a quilombola Rejane ressalta que o quilombo está vivendo um racismo ambiental grande em todas as áreas de pesca, seja no brejo ou no mar. 📱 Siga o canal do g1 Região dos Lagos no WhatsApp. Veja os vídeos que estão em alta no g1 Com a impossibilidade da pesca, Rejane ressalta que a sustentabilidade das famílias está em risco: “O mau cheiro, a péssima qualidade da água e a mortalidade de peixes estão atrapalhados. A gente vive da pesca, não estamos no mercado de trabalho. Hoje, quem pesca para subsistência está prejudicando”, afirma a quilombola Rejane Maria de Oliveira. “Somos vulneráveis e não temos assistência da prefeitura. O profissional da pesca de caranguejo, camarão-pitu, puçá e outras espécies do Rio Una está parado. O quilombo está vivendo um racismo ambiental grande em todas as áreas de pesca, seja no brejo ou no mar”, disse Rejane. Comunidade tradicional não consegue manter seu modo de vida” A filha de Rejane, a gestora ambiental Eduarda de Oliveira Nascimento, reforça que, atualmente, a comunidade tradicional não consegue manter seu modo de vida porque o esgoto está sendo despejado no rio. “Apelamos aos órgãos competentes para que venham reverter a situação. Aqui não é lugar de esgoto. Esse rio também leva um braço de água para dentro da comunidade quilombola. Pessoas sem comer e ficando doentes. Estamos sendo colocados em situação de vulnerabilidade”, explica. Segundo Caroline Mazieri, advogada ambientalista e membro do coletivo SOS Rio Una, esse é um problema que ocorre desde 2012. Ela destaca que uma das principais fontes de poluição são as estações de tratamento de esgoto. “Elas não fazem o tratamento suficiente, especialmente do esgoto que vem de Cabo Frio. Também há muitas tentativas de transposição de efluentes de outras estações de tratamento de próximas, como São Pedro da Aldeia e cidades de Iguaba Grande”, explica. Búzios recebe essa poluição, que merece ser investigada e combatida”, ressalta Caroline. Para a ambientalista Anna Roberta Mehdi, há dois meses o Rio Una vive um colapso. “As águas estão escuras, com um cheiro horroroso e com uma mancha que se estende sobre a Praia Rasa. O esgoto clandestino, a transposição da estação do Jardim Esperança e os resíduos industriais e agrícolas pioram a situação a cada ano. O rio nunca ficou tanto tempo com as águas poluídas dessa forma”, destaca. Sujeira de esgoto acumulada no Rio Una em Cabo Frio Eliandra Bussinger MPF cobra respostas O MPF pede também que os municípios apresentem medidas para identificar as fontes de poluição e formas de cessar esse impacto. Ao g1, a Prefeitura de Cabo Frio informou que recebeu uma notificação do Ministério Público Federal (MPF) e está avaliando a situação por meio das secretarias competentes. O município destaca que “todas as providências cabíveis sendo provas com responsabilidade e transparência, em conformidade com a legislação vigente”. A cláusula Prolagos também foi procurada e, em nota, afirmou que realizou coleta e análise laboratorial na foz do Rio Una e que “todos os resultados confirmam que a coloração do rio não se deve à presença de esgoto”, mas sim ao excesso de matéria orgânica presente na água, após chuvas intensas e alagamentos. Na resposta, a empresa argumentou ainda que possui uma Estação de Tratamento de Esgoto (ETE Jardim Esperança) a 16 km da foz do Rio Una, que “encontra-se em plena operação, atendendo a todos os limites legais e ambientais de lançamento de efluente tratado”. O g1 entrou em contato com a Prefeitura de Búzios e até a última atualização desta matéria não obteve resposta.
Rio Una totalmente poluído por conta do despejo de esgoto em Cabo Frio Luciano Fischer O Rio Una, que corta a Região dos Lagos e deságua na Praia Rasa, no limite dos municípios de Cabo Frio e Armação dos Búzios, tem sido alvo de denúncias sobre o despejo irregular de esgoto. Nas últimas semanas, os moradores destacam que a cor da água e da espuma mudou e que o mau cheiro também piorou. Nesta terça-feira (31), o Ministério Público Federal (MPF) encaminhou um ofício às prefeituras de Cabo Frio e Búzios e à supervisão de água Prolagos solicitando que no prazo de 20 dias, os relatados respondam sobre os impactos do desespero de esgoto no meio ambiente e na comunidade quilombola. Um dos principais grupos afetados é o quilombo de Maria Joaquina, localizado em Cabo Frio, que vive da pesca artesanal, onde a quilombola Rejane ressalta que o quilombo está vivendo um racismo ambiental grande em todas as áreas de pesca, seja no brejo ou no mar. 📱 Siga o canal do g1 Região dos Lagos no WhatsApp. Veja os vídeos que estão em alta no g1 Com a impossibilidade da pesca, Rejane ressalta que a sustentabilidade das famílias está em risco: “O mau cheiro, a péssima qualidade da água e a mortalidade de peixes estão atrapalhados. A gente vive da pesca, não estamos no mercado de trabalho. Hoje, quem pesca para subsistência está prejudicando”, afirma a quilombola Rejane Maria de Oliveira. “Somos vulneráveis e não temos assistência da prefeitura. O profissional da pesca de caranguejo, camarão-pitu, puçá e outras espécies do Rio Una está parado. O quilombo está vivendo um racismo ambiental grande em todas as áreas de pesca, seja no brejo ou no mar”, disse Rejane. Comunidade tradicional não consegue manter seu modo de vida” A filha de Rejane, a gestora ambiental Eduarda de Oliveira Nascimento, reforça que, atualmente, a comunidade tradicional não consegue manter seu modo de vida porque o esgoto está sendo despejado no rio. “Apelamos aos órgãos competentes para que venham reverter a situação. Aqui não é lugar de esgoto. Esse rio também leva um braço de água para dentro da comunidade quilombola. Pessoas sem comer e ficando doentes. Estamos sendo colocados em situação de vulnerabilidade”, explica. Segundo Caroline Mazieri, advogada ambientalista e membro do coletivo SOS Rio Una, esse é um problema que ocorre desde 2012. Ela destaca que uma das principais fontes de poluição são as estações de tratamento de esgoto. “Elas não fazem o tratamento suficiente, especialmente do esgoto que vem de Cabo Frio. Também há muitas tentativas de transposição de efluentes de outras estações de tratamento de próximas, como São Pedro da Aldeia e cidades de Iguaba Grande”, explica. Búzios recebe essa poluição, que merece ser investigada e combatida”, ressalta Caroline. Para a ambientalista Anna Roberta Mehdi, há dois meses o Rio Una vive um colapso. “As águas estão escuras, com um cheiro horroroso e com uma mancha que se estende sobre a Praia Rasa. O esgoto clandestino, a transposição da estação do Jardim Esperança e os resíduos industriais e agrícolas pioram a situação a cada ano. O rio nunca ficou tanto tempo com as águas poluídas dessa forma”, destaca. Sujeira de esgoto acumulada no Rio Una em Cabo Frio Eliandra Bussinger MPF cobra respostas O MPF pede também que os municípios apresentem medidas para identificar as fontes de poluição e formas de cessar esse impacto. Ao g1, a Prefeitura de Cabo Frio informou que recebeu uma notificação do Ministério Público Federal (MPF) e está avaliando a situação por meio das secretarias competentes. O município destaca que “todas as providências cabíveis sendo provas com responsabilidade e transparência, em conformidade com a legislação vigente”. A cláusula Prolagos também foi procurada e, em nota, afirmou que realizou coleta e análise laboratorial na foz do Rio Una e que “todos os resultados confirmam que a coloração do rio não se deve à presença de esgoto”, mas sim ao excesso de matéria orgânica presente na água, após chuvas intensas e alagamentos. Na resposta, a empresa argumentou ainda que possui uma Estação de Tratamento de Esgoto (ETE Jardim Esperança) a 16 km da foz do Rio Una, que “encontra-se em plena operação, atendendo a todos os limites legais e ambientais de lançamento de efluente tratado”. O g1 entrou em contato com a Prefeitura de Búzios e até a última atualização desta matéria não obteve resposta.[/gpt3]











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