O perito Eduardo Tagliaferro foi representado, em audiência no Supremo Tribunal Federal (STF), por um defensor público que se decidiu a fazer perguntas. Claudionor Barros Leitão justificou que, como foi chamado de última hora, não teve tempo de analisar os autos. A audiência ocorreu nesta terça-feira (17) e foi conduzida pela juíza auxiliar Flávia Martins de Carvalho, do gabinete do ministro Alexandre de Moraes.
O advogado que representa Tagliaferro, Paulo Faria, comunicou que não iria comparecer. Faria protesta contra a decisão do ministro de intimidar o perito por meio de edital, mesmo sabendo que o réu está na Itália. A atitude é vista por ele como uma maneira de escapar da tramitação de uma carta rogatória, instrumento em que a Justiça de um país pede que a de outro realize algum ato em seu nome.
O defensor público argumentou ainda que a atitude de Faria configuraria abandono de causa e pediu que Tagliaferro fosse intimado para constituir um novo advogado. Só em caso de descumprimento é que a Defensoria seria chamada a atuar. Mesmo assim, ao final, Claudionor pediu para ser considerado o advogado de Tagliaferro para toda a causa. A juíza registrou o pedido e prometeu encaminhar a Moraes.
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Apreensão de celular após acusação de violência doméstica

Da parte da acusação, falou o procurador da República Leandro Musa de Almeida, que fez perguntas a cinco testemunhas: os delegados da Polícia Civil de São Paulo Aldo Galiano Júnior, José Luiz Antunes e Luciana Raffaelli Santini; o escrivão Silvio José da Silva Júnior e o agente policial Vander Luciano de Almeida. Eles atuaram na prisão de Tagliaferro em Caieiras (SP) por suspeita de ameaçar sua esposa, Carla Bottoni Tagliaferro, com uma arma de fogo.
Foi após a apreensão do celular do perito que surgiu a acusação de violação de sigilo funcional, que depois também foi somada às de coação no curso do processo e tentativa de abolição violenta do Estado Democrático de Direito.
Galiano Júnior explicou que, em razão da suspeita de que um escrito estaria no local do fato, houve a necessidade de apreensão para envio do material à Corregedoria. “Se você tem uma dúvida: seria este telefone institucional ou não? Então eu pedi, eu determinei que se fizesse a apreensão desse telefone, não só para apuração da corregedoria, como para preservar informações provisórias do Supremo Tribunal Federal”, completou.
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Testemunhas destacaram que a imprensa chegou à delegacia antes de Tagliaferro

Santini destacou a rapidez da chegada da imprensa ao local, sem saber, inicialmente, o motivo. Cumprindo plantação à distância, ela foi ao local em razão do envolvimento de um escrito no caso. A testemunha conta que, nas oitivas, a esposa relatou uma dinâmica de ameaças constantes e que, por isso, houve a confirmação da prisão em flagrante.
O escrito indicado por Santini, Silvio José da Silva Júnior, também prestou depoimento. Ele classificou a ocorrência como “atípica”, em razão da chegada de repórteres antes de Tagliaferro, que questionaram se havia “peixe grande” no local. A presença da delegada, em sua versão, seria decorrente da carga ocupada no Judiciário.
Vander disse que conhecia Tagliaferro por razão de visitas frequentes do perito à delegacia. Ele também relata que a imprensa foi ligada antes da chegada do investigado, questionando se ele estaria ali e classificando-o como “homem forte de Brasília”.












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