O prefeito afastado de Macapá, Dr. Furlan (PSD), apresentou nesta quinta-feira (5) renúncia formal ao cargo em meio às investigações que apuram suspeitas de desvio de verbas federais na área da saúde. O pedido foi encaminhado por ofício à Câmara Municipal de Macapá um dia depois de ele ser alvo da Operação Paroxismo, deflagrada pela Polícia Federal para apurar reclamações de irregularidades em contratos públicos e possível manipulação de processos licitatórios.
Em sua justificativa oficial, Furlan afirmou que a renúncia atende a uma exigência legal para disputar o governo do Amapá nas eleições de 2026.
Segundo o investigador, o grupo suspeito teria atuado para direcionar licitações, desviar recursos públicos e lavar dinheiro. O foco principal das suspeitas está em um contrato de engenharia e execução de obras estimado em R$ 69,3 milhões.
Em uma publicação nas redes sociais, o agora ex-prefeito afirmou que já esperava a operação policial e sugeriu motivação política por trás da investigação. “A gente sabia que isso ia acontecer. Mas, eles não estão indo contra o Furlan. Estão indo contra a vontade do povo, contra a população de Macapá e de todo o estado do Amapá”, disse.
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A operação da Polícia Federal cumpriu mandatos de busca e apreensão em endereços direcionados a servidores municipais, empresários e pessoas próximas ao prefeito em Macapá, Belém e Natal. A decisão judicial também autorizou a quebra de sigilos bancários e fiscais dos investigados.
Outra medida determinada pela Justiça foi a suspensão da participação da construtora investigada e de seus sócios em licitações públicas no estado enquanto durar a apuração. A medida busca impedir novos contratos com recursos públicos até que as suspeitas sejam totalmente esclarecidas.
Relatório da Controladoria-Geral da União (CGU) citado na decisão judicial aponta que o município recebeu cerca de R$ 128,9 milhões em transferências federais entre 2020 e 2024. Parte desses recursos estaria vinculada à construção de um hospital que está no centro das investigações.
Perícias técnicas identificaram comprometeram a competitividade da licitação, com propostas consideradas incompatíveis com os valores praticados no mercado. Também foram coincidentes entre o orçamento apresentado pela empresa vencedora e parâmetros internos da própria administração municipal.
De acordo com a Polícia Federal, o objetivo é aprofundar a apuração sobre possível fraude no contrato firmado pela Secretaria Municipal de Saúde. O investigador também identificou movimentações financeiras consideradas atípicas após a assinatura do contrato sob suspeita.
A apuração mencionou, ainda, que sócios da empresa realizaram saques milionários em dinheiro vivo, com registros de transporte e possível redistribuição de valores na capital amapaense. Os índices apontaram que parte dessas movimentações financeiras pode ter ligação com pessoas próximas ao então prefeito.












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