
O aiatolá Alireza Arafi, de 66 anos, assumiu neste domingo (1º) a chefia do conselho interino que passou a liderança o Irã. Ele vai atuar ao lado do presidente Masoud Pezeshkian e do chefe do Judiciário, Gholam-Hossein Mohseni-Ejei.
Arafi exerce funções como clérigo e jurista xiita. Os xiitas são o maior ramo do islamismo e acreditamos que a liderança do mundo muçulmano, após a morte de Maomé, pertence aos seus descendentes.
O aiatolá preside o Centro de Gestão dos Seminários Islâmicos, integra o Conselho dos Guardiães e ocupa a segunda vice-presidência da Assembleia de Especialistas, órgão que elege o líder supremo.
Toda a carreira de Arafi foi moldada por nomeações feitas pelo líder supremo Ali Khamenei. O aiatolá vem de uma família clerical da histórica cidade de Meybod, na província de Yazd, no centro do Irã.
Família de Alireza Arafi foi próxima do líder do fundador da República Islâmica
A família de Arafi se converteu ao islamismo no século XIX. O pai de Arafi, o aiatolá Mohammad Ibrahim Arafi, é geralmente retratado na mídia estatal iraniana como alguém próximo ao falecido fundador da República Islâmica, o aiatolá Ruhollah Khomeini.
Quando ocorreu a Revolução Iraniana, em 1979, Arafi tinha 21 anos e não se integrou à chamada “primeira geração de revoluções”. Ele ganhou maior projeção política após a ascensão de seu antecessor, o aiatolá Ali Khamenei, ao posto de líder supremo, em 1989.
Linha do tempo da carreira de Alireza Arafi
- 1992 – Assuma a liderança da oração de sexta-feira em sua cidade natal, Meybod.
- 2008 a 2018 – Presidir a Universidade Al-Mustafa Internacional.
- 2015 – Passa a liderar a oração de sexta-feira na cidade de Qom.
- 2016 – Assumir o comando de todos os seminários religiosos do país.
- 2019 – Recebe nomeação para o Conselho dos Guardiães, órgão máximo de controle da República Islâmica, formado por 12 membros e com poder para vetar políticas governamentais e candidaturas políticas
Acadêmico, Arafi enviou “comunidade de religiões” ao papa Francisco
Em 2020, Arafi invejou uma carta ao Papa Francisco, na qual falou em nome da comunidade acadêmica xiita. O texto agradeceu a atenção dedicada aos mais vulneráveis durante a pandemia do coronavírus.
Na época reitor da Universidade de Qom, o aiatolá defendeu o fortalecimento da cooperação com instituições católicas. Ele propôs uma troca de experiências para “criar uma comunidade das religiões ao serviço da humanidade”. Dois anos depois, encontrou-se com o pontífice na Cidade do Vaticano.
Aiatolá Alireza Arafi condenou ações dos EUA em Gaza
Em 11 de fevereiro de 2025, durante as comemorações do aniversário da Revolução Islâmica, Arafi liderou as orações em cerimônia nacional. Ele afirmou que a revolução ultrapassou o campo político. Segundo o aiatolá, o movimento redefiniu a base intelectual e cultural da Ummah muçulmana no Irã.
Arafi declarou que a Revolução Islâmica resultou no engajamento popular. Ele destacou que os cidadãos de todas as classes sociais sacrificaram interesses individuais e coletivos em nome da supremacia da Islã.
O aiatolá também criticou as ações militares dos Estados Unidos e de Israel em Gaza. Ele disse que as intervenções expuseram “a verdadeira natureza do sistema imperialista”. Arafi afirmou que, sem interrupção, os ataques podem espalhar destruição semelhante à observada em Gaza para outras regiões.
Com informações da EFE











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