
O partido Novo protocolará no Senado um pedido de impeachment contra o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Dias Toffoli. A decisão foi anunciada em coletiva de imprensa nesta quinta-feira (12).
“Nós, do Partido Novo, entramos hoje com um novo pedido de impeachment do ministro Toffoli. Estamos identificando aí algo muito grave com relação às revelações que trouxeram no celular do Vorcaro”, disse o senador Eduardo Girão (Novo-CE), único parlamentar do partido na Casa responsável por processar e julgar os magistrados.
Já o deputado federal Marcel Van Hattem (Novo-RS) diferenciou a justiça verdadeira da “justiça a serviço daqueles que estão infringindo a lei”. Ele ainda reivindicou a fala em nome de todos os deputados e senadores para pressionar o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP): “Nós, como parlamentares do Congresso Nacional, exigimos do senhor Davi Alcolumbre que abra os processos de impeachment contra ministros do STF.”
VEJA TAMBÉM:
- Transparência Internacional defende afastamento de Toffoli após PF apontar suspeita
- Nikolas Ferreira pressionou Alcolumbre a pautar o impeachment de Toffoli
A Polícia Federal (PF) acessou o celular de Daniel Vorcaro e encontrou mensagens entre o dono do Banco Master e o relator das ações sobre a fraude em carteiras de crédito. O relatório é sob sigilo, mas as fontes são reveladas à imprensa como menções a Toffoli. Um desses vazamentos, revelado por CNNBrasil, aponta para mensagens citando pagamentos de pelo menos R$ 20 milhões a Maridt, da qual Toffoli é sócio.
Em meio à crise, o gabinete de Toffoli emitiu duas notas. Em primeiro lugar, criticou a PF, afirmando que o pedido de suspeita se baseia em “ilações” e que, além disso, o órgão “não tem legitimidade” para pedir o afastamento do caso, citando como embasamento o Código de Processo Civil.
A PF ainda trabalha na extração dos dados de outro celular de Vorcaro. Com a alegação de suspeita, o presidente do STF, Edson Fachin, ainda deverá ouvir Toffoli para, em seguida, tomar uma decisão.
O que diz o documento
O pedido, na verdade, é um acréscimo a outra denúncia protocolada em 14 de janeiro de 2026 por Girão e pelo senador Magno Malta (PL-ES). Sem cravar que os fatos procedem, os senadores enfatizam a suspeita de algo que pode abalar “a confiança da sociedade na Justiça”, especialmente diante da proporção do caso Master. Assim, defende-se que a existência de preconceitos seja “o requisito mínimo de aparência de imparcialidade exigido da jurisdição constitucional”.
Os senadores acrescentam as reportagens que tratam do relatório e da nota em que Toffoli admite a relação com o resort Tayayá. O peso institucional da Polícia Federal (PF), que pediu a suspeita, também é destacado.
Ao longo da argumentação, os parlamentares ainda falam em nome da população: “emerge o anseio da sociedade brasileira por uma investigação imediata, rigorosa e isenta. O povo brasileiro, historicamente afetado por escândalos financeiros de grandes proporções, exige que a purificação do alcance de todos os níveis do poder, sem abordagem, pois a lei é igual para todos.”
“O Senado Federal tem o dever constitucional de agir para garantir que ninguém esteja acima da lei. O silêncio, neste momento, seria interpretado como conivência e fragilizaria ainda mais o Estado de Direito”, conclui a denúncia.











Deixe o Seu Comentário