
O presidente Lula (PT) defendeu, neste sábado (7), que a militância petista busque apoio dos evangélicos ao partido. Em discurso na cerimônia de comemoração dos 46 anos do PT, em Salvador (BA), o presidente ainda alegou que 90% dos evangélicos recebem recursos governamentais.
“90% dos evangélicos ganham benefícios do governo. Não podemos esperar que eles falem bem de nós. Precisamos ir para lá, conversar”, disse o petista.
Apesar de não haver retrato por religião nos cadastros de todos os benefícios sociais, o percentual relatado por Lula entra em contradição quando comparado com os dados demográficos: de acordo com a censura de 2022, a população evangélica do Brasil é de 47,4 milhões de pessoas. Ou seja, para Lula, 42,6 milhões de evangélicos recebem algum benefício. Embora cerca de 94 milhões de brasileiros recebam algum benefício ou assistência direta do governo federal, o que corresponde a aproximadamente 44% da população, os cruzamentos de dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) evidenciam que o número estimado de evangélicos de baixa renda no Brasil gira em torno de 26 a 32 milhões.
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Fala gerou críticas de líderes evangélicos
O discurso gerou críticas: o vereador paulistano Rubinho Nunes (União) viu nela um reflexo de uma “velha tática” do partido, consistente em “transformar a fé em alvo, a pobreza em dependência e o Estado em cabo eleitoral.” Para o deputado estadual Delegado Zucco (Republicanos-RS), o petista “tenta rotular e desqualificar um grupo que já declarou, nas ruas e nas urnas, forte oposição ao seu projeto.”
Além dos políticos, o pastor Franklin Ferreira também reagiu dimensões: para ele, a declaração é “reveladora e profundamente cínica”, para reduzir os evangélicos aos beneficiários do governo, revelando uma “lógica de poder”. O religioso ainda contesta o julgamento do presidente, apontando que “o cristianismo nunca foi construído sobre benefícios do Estado, mas sobre trabalho, família, igreja local e responsabilidade moral.”
“Cristãos não são massa de manobra. E quando o Estado passa a tratar a fé como curral, acaba descobrindo que ainda existem ovelhas que documentam outro Pastor”, conclui.











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