
A banda Geese Divulgação/Sonic PR A apresentação da Geese no “Saturday Night Live”, tradicional programa de humor e da música nos EUA, coroou o “ano de sonho” vivido pela banda em 2025. Elogiados pelos nomes do quilate de Nick Cave, Patti Smith e St. A empolgação em torno do grupo foi tamanha que incluiu quem incluiu o disco solo do vocalista Cameron Winter (lançado em 2024) entre os destaques de 2025. Com esse projeto, o cantor vem ao Brasil para show no C6 Fest, em maio deste ano. Enfim, foi natural o surgimento daquela velha etiqueta de “salvação do rock”. Esnobados pelo Grammy Mesmo assim, “Getting Killed” passou em branco no Grammy, sem nenhuma indicação. Os críticos estariam errados ou a Academia que é lenta demais? Historicamente, o Grammy coleciona vacilos. Led Zeppelin, Jimi Hendrix, Janis Joplin, Queen e Arctic Monkeys nunca levaram um gramofone dourado para casa. Kendrick Lamar, dono de alguns dos álbuns mais inventivos do século, jamais venceu na categoria principal (Álbum do Ano). A banda Geese Divulgação/Sonic PR Mesmo em ascensão, a banda registra cerca de 2,1 milhões de ouvintes mensais no Spotify. Para efeito de comparação, João Gomes soma 9,9 milhões. O Pearl Jam, para seguir no recorte do rock, mantém 16,9 milhões. Perto de gigantes como Taylor Swift (mais de 100 milhões) e Beyoncé (50 milhões), os números da Geese mostram que o grupo é um público de nicho. Um queridinho do mundo indie, não uma força cultural massiva. A revista “Billboard” considera 1.500 execuções equivalentes à venda de um álbum. A música mais popular da banda, “Au pays du Cocaïne”, tem 14 milhões de reproduções. É como se fossem vendidos pouco mais de 9 mil unidades de seu maior sucesso: um número modesto para os padrões da indústria. Eles vão salvar o rock? A ideia de que o rock precisa de um salvador geralmente vem de quem não acompanha o gênero. O estilo segue lucrativo no setor de shows, impulsionado por “dinossauros” como Oasis, Rolling Stones, Bruce Springsteen e Paul McCartney. Na ala jovem, há afrescos em nomes como MJ Lenderman, Wet Leg, Fontaines DC, Turnstile (que venceu um Grammy neste ano e vem ao Lollapalooza) e The Last Dinner Party. A Geese não é exatamente novata. “Getting Killed” é o terceiro álbum do grupo, que começou quando Cameron Winter e seus amigos ainda estavam no ginásio. Eles evoluíram até encontrar uma identidade, marcada pela voz anasalada de Winter que, em certos momentos, beira o irritante. O disco do hype é interessante, mas não muda a vida de ninguém. A abertura, “Trinidad”, é o ponto alto: começa lenta, torta, e explode em um ataque sonoro com o vocalista berrando “There’s a bomb in my car”. O restante é de boas faixas, como “Taxes”, mas fica entre um Nick Cave menos excêntrico e um Rufus Wainwright mais pesado. A banda Geese Divulgação/Sonic PR O fato é que o barulho das redes sociais se traduziu em público. Os vídeos mostram plateias cheias e fervorosas. Se João Gomes parou na Lapa, no Rio, a Geese fez algo parecido no Brooklyn. Cameron Winter também esgotou dados no Carnegie Hall em formato voz e piano, um movimento de prestígio que lembra o registro de Emicida no Theatro Municipal de São Paulo No auge das comparações, houve quem citou o Nirvana. Mas lembre-se: Kurt Cobain desbancou Michael Jackson do topo das paradas. A Geese, até agora, sequer figurou nos rankings da “Billboard”. Eles podem se tornar gigantes no futuro. Hoje, ainda não são.
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