A produção de veículos no Brasil – que engloba automóveis, veículos comerciais leves, ônibus e caminhões – deve crescer 3,7% em 2026, de acordo com a estimativa da Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea). 
O movimento deve ser impulsionado principalmente pela produção de veículos leves, como automóveis e comerciais leves, que devem apresentar alta de 3,8% neste ano.
Também é esperado um alto aumento no licenciamento desses veículos, que deve crescer em torno de 2,7% neste ano, informou a Anfavea.
“Continuamos com um ano de dificuldades”, disse nesta quinta-feira (15) o presidente da Anfavea, Igor Calvet, durante coletiva de imprensa, em São Paulo. “Eu tenho dito que temos um otimismo contido para o setor automotivo. Isso porque os números vão continuar crescendo, mas os fatores de imprevisibilidade continuam. Nós temos fatores geopolíticos agora muito importantes que podem afetar a cadeia de fornecimento e nós temos um ano que antecede a entrada em vigor da reforma tributária. Teremos um ano em que precisamos ficar alertas e essa é razão pela qual nós estamos propondo revisar nossas projeções trimestralmente para ir acompanhando passo a passo os acontecimentos”, pontual.
No ano passado, a produção de veículos cresceu 3,5% em relação a 2024, somando 2,6 milhões de unidades fabricadas, mantendo o Brasil na oitava posição no ranking mundial de produção.
Já as vendas totalizaram 2,69 milhões de unidades em 2025, o que representou aumento de 2,1% em relação ao ano anterior e que manteve o Brasil na sexta posição no ranking mundial de mercado.
Segundo Calvet, esses resultados foram inferiores ao esperado para 2025, já que a Anfavea projetava crescimento de 7,8% para produção e de 5% para licenciamento. Ainda assim, destacou-o, 2025 encerrou como um ano positivo para o setor.
“Nós tivemos um ano em que o mercado cresceu 2% e a produção cresceu 3%. Foi um ano de muita instabilidade, um ano em que nós tivemos inúmeras questões geoeconômicas que influenciaram o setor.”, detalhou o presidente da Anfavea.
Calvet ressaltou que também foi um ano em que de discussões importantes como, por exemplo, sobre o Imposto sobre Operações Financeiras, o IOF. “Então isso tudo impacta muito o setor, sem contar a taxa de juros. Quando fizemos a projeção, lá em 2024, tínhamos uma taxa de juros de 12%.
Comércio externo
Além das vendas e da produção, o setor automotivo também teve um ano positivo nas exportações, com crescimento de 32,1% e quase 529 mil unidades comercializadas no período.
“As exportações surpreenderam em 2025. Só para a Argentina o crescimento foi de 85% em relação a 2024. Nossos embarques ao exterior superaram as importações, que também foram em nível alto. Ti quase meio milhão de veículos importados no país no ano de 2025”, disse o presidente da entidade.
Para 2026, a expectativa de crescimento das exportações gira em torno de 1,3%.
Já as importações cresceram 6,6% no período, puxadas principalmente pela entrada de automóveis fabricados em países sem acordo de livre comércio com o Brasil, como a China. O país asiático representou 37,6% dos 498 mil importados que foram emplacados no Brasil no ano passado.
“Neste ano a gente até acredita que as importações vão diminuir, porque há novos entrantes no mercado e esses novos entrantes projetam o início das suas produções agora no ano de 2026. Logo, o que antes era importado, passa a ser produzido no país, o que é um excelente movimento. Mas vamos ter um ano ainda bastante na esfera do comércio exterior nós com a nossa possibilidade de avanço em acordos importantes e fortalecer a nossa relação com a Argentina e também com a Colômbia, que é um parceiro com quem tem problemas de acordo comercial no último ano”.
Programa Move Brasil
Em entrevista coletiva de hoje, na capital paulista, o presidente da Anfavea afirmou que uma das grandes preocupações do setor automotivo para este ano é a reforma tributária, já que ainda não foi definida a alíquota que vai incidir sobre o setor automotivo.
Igor Calvet destacou que a dificuldade de fazer planejamento preocupa muito o setor. “Nós não sabemos ainda qual a alíquota que vai incidir sobre cada um dos produtos, sobre o nosso portfólio de produtos. Isso há menos de um ano da entrada em vigor da reforma tributária. E neste ano também temos um grande desafio que é o desafio de acessar novos mercados.
Outro aspecto que anda trazendo preocupações para o setor é o segmento de caminhões, cuja produção caiu 46,4% no ano passado e apresentou queda de 9,2% em emplacamentos. “Caminhões têm uma exibição muito forte com o PIB [Produto Interno Bruto]. Se o PIB crescer, em princípio o mercado de trânsito teria que crescer já que grande parte de nossa produção é escoada pelo modal rodoviário e o modal rodoviário são caminhões. Então, o setor de tráfego deveria crescer, mas o que estranha o setor de tráfego hoje no Brasil são as altas taxas de juros”, defendeu.
Por isso, ressaltou, o programa Move Brasil, anunciado neste ano pelo governo federal, e que oferece crédito para a compra de caminhões, vai acabar sendo muito importante para o setor. “Recentemente tivemos o anúncio de uma importante medida provisória que é o Move Brasil e que dá uma linha de crédito com condições em termos de taxas muito boas. Entendemos que essa é uma medida desfibrilatória para a economia brasileira e que envolve o setor de transportes. Então precisamos que essa é uma medida que vai fazer com que as quedas expressivas do setor parem nesse começo de ano”.










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