A Polícia Federal prendeu, na madrugada desta quarta (14), o cunhado do banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, quando tentava viajar para Dubai, nos Emirados Árabes Unidos. Fabiano Campos Zettel foi detido no Aeroporto Internacional de São Paulo, em Guarulhos, horas antes da deflagração da segunda fase da Operação Compliance Zero, que apura um esquema de fraude bancária envolvendo o banco e que pode ser a maior já descoberta no Brasil.
Segundo fontes da PF a par da investigação informaram à Gazeta do PovoZettel foi preso para que a operação pudesse ser deflagrada, mas liberada depois. Ainda não se sabe o motivo da viagem para Dubai – Vorcaro foi preso, no ano passado, nas mesmas situações. No entanto, ele alegou que estava se deslocando para o país árabe para fechar o transporte de R$ 3 bilhões de investidores no Banco Master.
Além de Zettel, a nova fase da operação desta quarta (14) mirou os empresários e investidores Nelson Tanure e João Carlos Mansur, este último ex-CEO da Reag Investimentos. Em agosto do ano passado, um Reag entrou na mira da Polícia Federal por suspeita de administrar fundos de investimentos utilizados pelo PCC, descobertos durante a Operação Carbono Oculto.
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Ao todo, a segunda fase da Operação Compliance Zero cumpriu 42 mandados de busca e apreensão expedidos pelo ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal (STF), nos estados de São Paulo, Bahia, Minas Gerais, Rio Grande do Sul e Rio de Janeiro. Também foram bloqueados R$ 5,7 bilhões em bens.
UM Gazeta do Povoa defesa de Daniel Vorcaro afirmou que o empresário “tem colaborado integral e continuamente com as autoridades competentes” e que “todas as medidas judiciais determinadas no âmbito da investigação serão atendidas com total transparência” (veja na íntegra mais abaixo).
Segundo fontes da investigação, a Polícia Federal atua em duas frentes de apuração: uma sobre as irregularidades envolvidas na operação com o BRB e outra do possível envolvimento com fundos que lavavam dinheiro para o crime organizado.
Alguns dos alvos das buscas estão em endereços de gestoras de fundos na Avenida Faria Lima, em São Paulo, localidade tida como a “coração” do mercado financeiro brasileiro.
Entre os bens apreendidos pela Polícia Federal, estão aparelhos celulares, carros e bolsas de artigos de luxo, equipamentos eletrônicos, armas e munições, dinheiro em espécie e documentos.
“As medidas judiciais visam interromper a atuação da organização criminosa, garantir a recuperação de ativos e dar continuidade às investigações”, completou a PF.
Defesa de Vorcaro
Veja abaixo o que disse a defesa de Daniel Vorcaro sobre a operação desta quarta (14):
A defesa de Daniel Vorcaro informa que tomou conhecimento da medida de busca e apreensão e reafirma que o Sr. Vorcaro tem colaborado integral e continuamente com as autoridades competentes. Todas as medidas judiciais determinadas no âmbito da investigação serão atendidas com total transparência.
O Sr. Vorcaro permanece à disposição para prestar esclarecimentos sempre que solicitado, reforçando o seu interesse no esclarecimento completo dos factos e no encerramento célere do inquérito. A sermos defensores da confiança no devido processo legal e seguiremos atuando nos automóveis para que as informações sejam tratadas de forma objetiva e dentro dos limites constitucionais.
As suspeitas sobre o banqueiro
Daniel Vorcaro é suspeito de comandar um grande esquema envolvendo altas autoridades para vender carteiras de crédito sem lastro ao Banco de Brasília (BRB) no valor de R$ 12 bilhões — revelado na primeira fase da Operação Compliance Zero, em novembro do ano passado. Posteriormente, ele teria arquitetado uma operação para o banco estatal adquirir parte do Banco Master, numa transação que foi negada pelo Banco Central.
No final do ano passado, o ministro Dias Toffoli conduziu para seu gabinete toda a investigação e decretou sigilo máximo dos automóveis. Dias depois, foi descoberto que ele provavelmente para a final da Copa Libertadores da América, no Peru, de “carona” em um avião junto de um advogado do Banco Master.
Posteriormente, Toffoli também informou que todas as novas diligências e medidas relacionadas à investigação do Banco Master só poderão ser realizadas com autorização prévia do Corte. A justificativa apresentada é a suspeita de que a apuração envolve pessoas com foro privilegiado.











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