
O governo de Israel oficializou nesta terça-feira (13) que o país rompeu imediatamente todo contato com sete agências e entidades vinculadas às Nações Unidas, segundo comunicado do Ministério das Relações Exteriores. A decisão foi anunciada pelo chanceler Gideon Sa’ar após “avaliação do cenário internacional” e de medidas adotadas recentemente pelo governo dos Estados Unidos em relação aos organismos multilaterais.
De acordo com a Chancelaria israelense, a ruptura atinge, entre outras, a ONU Mulheres e a Aliança de Civilizações. O comunicado afirma que Israel “cortará imediatamente todo contato” com as entidades envolvidas.
Israel também deixará de manter relações com o Escritório do Representante Especial do Secretário-Geral da ONU para Crianças e Conflitos Armados. A Chancelaria classificou a medida como uma resposta à inclusão de Israel, em 2024, na lista de países que cometem “violações muito graves” dos direitos das crianças em conflitos armados. O governo israelense argumenta que “Israel é o único país democrático que aparece na lista, ao lado do Estado Islâmico e do Boko Haram”. Em relação à ONU Mulheres, Israel afirma que a organização ignorou denúncias de violência sexual ocorridas durante os ataques terroristas do Hamas em 7 de outubro de 2023. Por sua vez, a Aliança de Civilizações da ONU foi realizada pelo governo de Israel como uma “plataforma para ataques” contra o país.
Também foram incluídas a decisão de Israel na Conferência das Nações Unidas sobre Comércio e Desenvolvimento e na Comissão Económica e Social das Nações Unidas para a Ásia Ocidental. De acordo com o comunicado, Israel acusa ambos de publicarem “relatórios anti-israelenses” de forma recorrente.
Israel também rompeu relações com a ONU Energia e com o Fórum Global sobre Migração e Desenvolvimento, órgão que, segundo a Chancelaria israelense, “mina a capacidade dos países soberanos de aplicar as suas próprias leis de imigração”.
O Ministério das Relações Exteriores de Israel anunciou, ainda, que outras organizações internacionais estão sob análise e que medidas semelhantes poderão ser empregadas em breve.
O anúncio ocorre após o Parlamento israelense ter aprovado, em 30 de dezembro do ano passado, uma reforma legal que declarou ilegal em Israel a Agência da ONU para os Refugiados Palestinos. Com base na nova legislação, a agência perdeu a imunidade no país, teve bens embargados e instalações expropriadas em Jerusalém Oriental.
Três semanas antes da aprovação da lei, policiais israelenses e funcionários municipais já conseguiram entrar na sede da UNRWA em Jerusalém Oriental e substituíram a bandeira da ONU pela bandeira de Israel, de acordo com registros oficiais.
A legislação também proíbe a prestação de serviços de telecomunicações à UNRWA, equipando-a a restrições aplicadas a serviços básicos, além de bloqueio de operações financeiras da agência, conforme detalhado pelo governo israelense.











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