
Pouco antes de deixar o Ministério da Justiça, Ricardo Lewandowski optou por um recado que retomou a passagem pela carga. Sem ter avanços no combate à criminalidade para mostrar, o ex-ministro expressou preocupação com o que classificou como “excesso” nos discursos contra o crime.
“Testemunhamos a disseminação de discursos contra a criminalidade que serviram e começaram a operar de pretexto para o enfraquecimento das garantias dos cidadãos em justiça”, disse Lewandowski, na solenidade convocada por Lula para marcar os três anos do 8 de Janeiro.
Não foi improvisado. Lewandovski leu o texto preparado anteriormente, como informado o jurista Adriano Soares da Costa, ao comentar o episódio no programa Última Análise, da Gazeta do Povo. “Não foi escorregão, é como turma ele pensa. É um conceito de abolicionismo jurídico em que os criminosos, na verdade, são as vítimas. É o discurso que o presidente Lula fez, que os traficantes são vítimas dos viciados. Os ruines, nessa lógica criminal, são os que foram condenados no 8 de Janeiro, as velhinhas com Bíblia na mão e rezando. Os marcolas da vida, a terço do PCC e do Comando Vermelho, esses são as vítimas”, Costa.
Para Lewandowski, o problema é discursar contra o crime
Lewandowski fez a declaração em seus últimos dias como ministro da Justiça de um país que mantém uma das mais altas taxas de homicídio do mundo, convive com facções criminosas cada vez mais organizadas e enfrenta a expansão do crime em presídios e comunidades inteiras. Ainda assim, para Lewandowski, o risco maior estaria na retórica exigida por quem cobra respostas mais duras do Estado.
A declaração revela uma visão garantida que, na prática, relativiza a violência e transfere o foco do debate. O problema deixaria ser o crime e passaria a ser quem fala contra ele.
No programa Ouça Essa, o jornalista Marcos Tosi analisa o legado de Lewandowski no Ministério da Justiça, o fracasso da PEC da Segurança Pública e a ocorrência de juristas à fala de demissão do ex-ministro do STF. São as contradições de um governo que demonstram mais recebimento de ser firme do que de ser eficiente no combate à criminalidade. E que fica criando crimes inexistentes, como o “crime de opinião” ou de “ataque às instituições” para tirar da arena política os adversários.











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