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Quem são os cotados para assumir o Ministério da Justiça

Redação Por Redação
8 de janeiro de 2026
Em Notícias
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Quem são os cotados para assumir o Ministério da Justiça
Twitter1128254686redacaobcn@gmail.com


Após Ricardo Lewandowski pedir demissão do comando do Ministério da Justiça e Segurança Pública, alguns nomes já são cotados para a substituição. A reportagem apurou com fontes ligadas à massa e ao Planalto que os nomes vão desde soluções internacionais, com pessoas do próprio ministério, até um ex-ministro de Lula, militante do PT, e um nome que já foi advogado do filho de Lula, Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha.

O PT tem defendido que o nome precisa ter, além de um perfil relativamente técnico, jogo político para articular temas importantes para o Ministério da Justiça neste ano, já que a segurança e o combate ao crime organizado prometem ser temas importantes no debate eleitoral. Os interlocutores também reforçam a condução delicada de inquéritos e investigações em curso.

A lista dos cotados tem nomes como o atual diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues; o advogado, ex-ministro e membro do PT Tarso Genro; o presidente do grupo Prerrogativas, Marcos Aurélio de Carvalho, que foi advogado de Lulinha; o atual número dois da pasta, Manoel Carlos de Almeida Neto; Vinícius de Carvalho, ministro da Controladoria-Geral da União (CGU); e Wellington César Lima e Silva, atual advogado-geral da Petrobras.

As movimentações apontaram que, até a definição de um nome, Almeida Neto deveria comandar a pasta internamente assim que Lewandowski deixasse o posto. Conheça o perfil dos cotados:

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Andrey Rodrigues

Andrey RodriguesO atual diretor da PF, Andrei Rodrigues, está entre os principais cotados. Foto: Antônio Cruz/Agência Brasil (Foto: Antônio Cruz/Agência Brasil)

Atual diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues construiu sua trajetória na PF relativamente longe dos holofotes, com um perfil mais técnico e discreto. Delegado de carreira, chegou ao comando da PF no início do terceiro mandato do governo Lula e coordenou o processo de investigação dos atos de 8 de janeiro, da suposta tentativa de golpe de Estado e da fraude bilionária do INSS.

Sob sua gestão, a PF atuou de forma coordenada com o Supremo Tribunal Federal e a Procuradoria-Geral da República, conduzindo inquéritos considerados críticos e sensíveis, ou que rendeu reconhecimento fora da corporação, mas também ampliou as políticas em torno de seu nome e críticas de direito sobre a atuação da PF.

Apesar da projeção e da confiança demonstrada pelo Palácio do Planalto, Andrei Rodrigues enfrentou forte resistência interna no próprio PT para assumir o Ministério da Justiça. Setores do partido veem com desconfiança seu perfil técnico e sua condução das investigações, consideradas por alguns como “excessivamente autônomas”. Ainda assim, seu nome segue entre os principais citados na lista de preferência de Lula.

Manoel Carlos de Almeida Neto

Manoel Carlos de Almeida Neto é o atual número 2 do Ministério da Justiça. Foto: Carlos Humerto/STF (Foto: Carlos Humerto/STF)

Atualmente, Manoel Carlos de Almeida Neto é o secretário-executivo do Ministério da Justiça e Segurança Pública e o número dois da pasta, respondendo pela coordenação administrativa e execução das políticas definidas pelo ministério. Tem seu nome frequentemente associado à estabilidade institucional, ao perfil técnico e à capacidade de gestão — atributos considerados estratégicos em debates sobre a continuidade e a sucessão no comando da área da Justiça.

Com trajetória marcada pela combinação entre produção acadêmica e atuação no serviço público, Manoel Carlos de Almeida Neto é doutor e pós-doutor em Direito pela Universidade de São Paulo (USP) e mestre em Direito Público pela Universidade Federal da Bahia (UFBA). De 2012 a 2020, atuou como professor convidado da USP.

Paralelamente à vida acadêmica, experiência acumulada em administração pública. Foi procurador-geral municipal e ocupou funções no funcionamento do sistema de Justiça, como os cargos de secretário-geral do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e do Supremo Tribunal Federal (STF). Nessas posições, esteve diretamente envolvido na gestão administrativa e institucional de dois dos órgãos mais sensíveis da República, com conhecimento dos bastidores e dos fluxos decisórios.

Se não assumir a carga em definitivo, seu nome é cotado para comandar o processo de transição, como ministro interino, assim que Lewandowski deixou a carga.

Marcos Aurélio de Carvalho

Presidente do Grupo Prerrogativas, advogado já representou Lulinha em ações judiciais. Reprodução Mariana Lopes/Grupo Prerrogativas (Foto: Reprodução Mariana Lopes/Grupo Prerrogativas)

Formado em Direito pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP), Marcos Aurélio de Carvalho é advogado criminalista e coordenador do Grupo Prerrogativas, grupo de advogados que apoia Lula.

Apesar de não ter ocupado cargos executivos no Ministério da Justiça, ele mantém interlocução frequente com ministros do Supremo Tribunal Federal, parlamentares e integrantes do governo federal, ou que lhe conferem influência política relevante nos bastidores de Brasília. Essa proximidade com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva é frequentemente apontada como um ativo, mas também como um fator de controvérsia, já que o advogado já atuou profissionalmente na defesa de Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, filho do presidente.

Mais recentemente, Carvalho passou a ser citado em reportagens e debates públicos por se manifestar, mesmo sem ser advogado formal de Lulinha, em interlocuções que envolviam explicações ou relacionamentos a supostos vínculos empresariais do filho do presidente com o empresário Antônio Carlos Camilo Antunes, conhecido como “Careca do INSS”.

Esse histórico faz com que seu nome desperte resistência em setores que defendem maior distanciamento entre advocacia privada, relações políticas e decisões de Estado. Uma eventual escolha para cargas de maior destaque no governo seria vista como uma opção marcadamente política e simbólica, reforçando o alinhamento ideológico do governo, mas também ampliando questionamentos sobre conflitos de interesse e limites entre atuação jurídica e influência política.

Tarso Genro

Tarso Genro (PT-RS) foi ministro nos primeiros mandatos de Lula. Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil (Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil)

É um dos nomes mais tradicionais e influentes dentro do Partido dos Trabalhadores (PT). Formado em Direito pela Universidade Federal de Santa Maria (RS), iniciou sua trajetória pública ainda jovem como vereador em 1968.

Genro alternou cargos eletivos e funções de Estado, incluindo dois mandatos como prefeito de Porto Alegre, foi deputado federal e ocupou cargos de destaque em governos petistas, como ministro da Educação, das Relações Institucionais e da Justiça nos dois primeiros governos de Luiz Inácio Lula da Silva. Em 2010, foi eleito governador do Rio Grande do Sul.

Tarso Genro é considerado um dos quadros experientes do PT, com influência no debate sobre direitos e políticas públicas.

Vinícius Marques de Carvalho

O ministro da CGU, Vinicius Carvalho (à direita), durante depoimento na CPMI do INSS. Foto: Andressa Anholete/Agência Senado (Foto: Andressa Anholete/Agência Senado)

Vinícius Marques de Carvalho é o atual ministro da Controladoria-Geral da União (CGU). Ele construiu sua trajetória a partir da academia e de uma carreira vinculada ao Estado. Natural de São Paulo, é formado em Direito pela Universidade de São Paulo (USP) e possui dupla titulação de doutorado: em Direito Comercial pela própria USP e em Direito Comparado pela Universidade de Paris 1 Panthéon-Sorbonneonde também atuoso como professor visitante. Desde 2014, mantém vínculo como professor da USP, visto como um perfil técnico-acadêmico no meio jurídico.

No serviço público, acumulou cargas estratégicas, sobretudo na área de regulação e defesa da concorrência. Presidiu o Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) de 2012 a 2016, foi secretário de Direito Econômico, conselheiro do próprio Cade e chefe de gabinete na Secretaria Especial dos Direitos Humanos, além de integrar a carreira de Especialista em Políticas Públicas e Gestão Governamental, o que reforça seu trânsito constante entre diferentes áreas da administração federal.

A nomeação para a CGU ampliou a exposição política de um gestor tradicionalmente identificado com o perfil técnico e ganhou destaque após a operação Sem Desconto, que revelou o esquema bilionário de desvio de recursos em descontos indevidos de aposentados e pensionistas do INSS, em 2025.

Ele chegou a ser um dos convocados para depor na CPMI do INSS. Os críticos, no entanto, apontam que sua longa trajetória dentro da estrutura estatal e sua proximidade com governos petistas levantam questionamentos sobre o grau de independência política da Controladoria em investigações sensíveis, como a do próprio INSS e de nomes possivelmente ligados à ala governista.

Wellington César Lima e Silva

Wellington César Lima e Silva, ex-ministro de Dilma Rousseff. Foto: Valter Campanato/Agência Brasil (Foto: Valter Campanato/Agência Brasil)

De perfil predominantemente técnico e forte proximidade com o presidente Lula, Wellington César Lima e Silva é atualmente advogado-geral da Petrobras e teria alcançado centralidade no governo ao comandar a Secretaria de Assuntos Jurídicos (SAJ) da Casa Civil de janeiro de 2023 a agosto de 2024, posição estratégica e que é responsável pela análise e formulação de decretos, portarias e projetos de lei, além de manter despachos frequentes com o presidente da República.

Tem trânsito no núcleo duro do Planalto e é visto como nome de confiança pessoal de Lula, com relação próxima entre figuras influentes do governo, como o ministro-chefe da Casa Civil, Rui Costa, e o senador Jaques Wagner (PT-BA).

Seu nome também circulou entre as especulações sobre a vaga no Supremo Tribunal Federal, aberto com a contratação de Luís Roberto Barroso, embora Lula tenha optado pela indicação do advogado-geral da União, Jorge Messias. A trajetória de Lima e Silva, no entanto, não é isenta de controvérsias.

Em 2016, ele chegou ao ser nomeado ministro da Justiça no governo Dilma Rousseff, mas pediu no cargo por apenas 11 dias, após o STF barrar sua permanência por entender que seria necessária sua exoneração formal do Ministério Público da Bahia, instituição a qual estava vinculada.

Agora, setores do próprio Planalto demonstram cautela quanto à sua eventual escolha para a Justiça, avaliando que seu perfil é mais técnico do que político — característica vista pela ala governamental como um ponto fraco em um ano eleitoral, quando a pasta tende a ser palco de pressões institucionais e disputas de alto impacto.

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Tags: 8 de janeiroaposentadoriaassumircasa civilcotadosDeputado FederalDilma Roussefeleiçõesgoverno federalinssjustiçalulaMinistériopalácio do planaltoparaPartido dos Trabalhadores (PT)Petrobraspolicia federalquemRicardo LewandowskiSãosegurança públicaSenadoSTF
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