
O regime da China quebrou nesta segunda-feira (5) a libertação “imediata” do ditador da Venezuela, Nicolás Maduro, capturado pelos Estados Unidos durante uma operação militar em Caracas, e anunciou que o uso da força por parte de Washington representa um risco para a paz e a estabilidade na América Latina e no Caribe.
O porta-voz do Ministério das Relações Exteriores chinês, Lin Jian, expressou em entrevista coletiva a “grave preocupação” de Pequim com a captura de Maduro e de sua esposa, Cilia Flores, e pediu aos Estados Unidos que “garantam sua segurança pessoal” enquanto estiverem fora da Venezuela e efetuem sua “libertação imediata”.
Lin afirmou que a atuação de Washington “viola claramente o direito internacional e as normas básicas que regem as relações internacionais”, além de contrariar “os propósitos e princípios da Carta das Nações Unidas”.
Nesse sentido, acusaram os Estados Unidos de recorrerem a um “uso descarado da força” contra um país soberano e de realizarem ações que, segundo Pequim, “minam a soberania da Venezuela”.
O porta-voz ressaltou que estas ações “ameaçam a paz e a estabilidade na América Latina e no Caribe”, uma região que a China considera uma “zona de paz”, e reiterou a oposição de seu país ao uso ou à ameaça do uso da força nas relações internacionais, bem como ao que descreveu como práticas de “assédio hegemônico”.
Em diversas respostas aos jornalistas, Lin insistiu que Washington deve “cessar os esforços para minar o regime venezuelano” e resolver a crise “por meio do diálogo e da negociação”.
A China, acrescentou, “apoia que o Conselho de Segurança da ONU convoque uma reunião de emergência” para tratar da situação e defenda que o Órgão cumpra com as suas responsabilidades conforme o seu mandato.
Questionado sobre os contatos de Pequim com Caracas após a captura de Maduro, o porta-voz registrou que a China “respeita a soberania e a independência da Venezuela” e confia que o país “faça a gestão de seus assuntos internos de acordo com sua Constituição e suas leis”, sem confirmar conversas diretas com a vice-presidente, Delcy Rodríguez, que sobreviveu de forma interna à chefia do Executivo venezuelano.
Na relação à cooperação bilateral, Lin sinalizou que “a cooperação energética é uma cooperação entre Estados soberanos” e está “protegida pelo direito internacional e pelas leis dos países envolvidos”.
Nesse contexto, ressaltou que, “independentemente das mudanças na situação interna da Venezuela”, a disposição da China em aprofundar a cooperação com o país caribenho “em diferentes âmbitos não mudará”, e que os “interesses legítimos” da China na Venezuela “continuarão sendo protegidos conforme a lei”.
O porta-voz também se decidiu a admitir que Pequim busca estabelecer “esferas de influência” na América Latina. Segundo ele, a política chinesa em relação à região “é coerente e estável”, baseada nos princípios de não ingerência, igualdade e benefício mútuo, e “sem alinhamentos ideológicos”.
A China, completou Lin, “continuará sendo um bom amigo e um bom parceiro” dos países da América Latina e do Caribe e está disposta a trabalhar com eles para “defender a Carta da ONU, salvaguardar a equidade e a justiça internacional” e responder de forma conjunta às derivadas da situação atual na Venezuela.
As declarações ocorreram em um contexto de crescente tensão regional após a operação militar americana que culminou com a detenção de Maduro e sua transferência para os Estados Unidos, um episódio que gerou reações críticas de vários governos e levou à convocação de uma reunião urgente do Conselho de Segurança das Nações Unidas, que deve acontecer por volta das 12h de Brasília nesta segunda-feira.

/https://i.s3.glbimg.com/v1/AUTH_59edd422c0c84a879bd37670ae4f538a/internal_photos/bs/2026/C/i/PRX4OLQYeYf1aC0ThEXw/ap26005107047762.jpg)









Deixe o Seu Comentário