O União Brasil, partido que nasce da fusão entre DEM e PSL, nasce rachado e com alas distintas em Estados importantes para o xadrez político. Essa divisão fica evidenciada no Rio de Janeiro, onde a escolha do comando da nova legenda deve causar uma debandada de deputados. Parlamentares das duas siglas planejam uma desfiliação em massa caso a presidência do diretório estadual seja repassada ao prefeito de Belford Roxo, Wagner dos Santos Carneio, o Waguinho. A publicação na qual o gestor da cidade da Baixada Fluminense afirma que foi escolhido como presidente da Executiva do Rio (veja abaixo) caiu como uma bomba na ala do Democratas ligada ao deputado federal Sóstenes Cavalcante (DEM-RJ), que comanda a sigla no Estado.

“Se isso se confirmar [Waguinho na presidência do União Brasil no Rio], saio do partido no mesmo segundo. Não tenho condição de andar com o grupo do Waguinho. Nosso estilo de fazer política é totalmente antagônico”, disse Sóstenes à Jovem Pan. O deputado, ligado ao pastor Silas Malafaia, pondera que ainda não há definição oficial sobre o comando dos diretórios. “Quando o Waguinho postou que seria o presidente estadual, mandei o print para o Rueda [vice-presidente do PSL] e para o ACM Neto [presidente nacional do DEM]. Eles me disseram que não está definido em nenhum lugar e isso foi reiterado na convenção”, acrescenta. O parlamentar do DEM afirma que o prefeito de Belford Roxo quer trazer para o novo partido “pessoas que não têm ficha limpa”. “Quando começo a ouvir alguns nomes que supostamente viriam com ele, fico receoso”, avalia.

Sóstenes Cavalcante não sairia sozinho. Ele deve ser acompanhado pelos deputados Juninho do Pneu, José Nalim e Pedro Paulo, todos do DEM, além de Felício Laterça, Lourival Gomes e Gurgel, do PSL. Além disso, é dada como certa a saída dos bolsonaristas do partido pelo qual o presidente Jair Bolsonaro foi eleito em 2018. Os deputados Carlos Jordy (PSL-RJ), Chris Tonietto (PSL-RJ), Hélio Lopes (PSL-RJ), Márcio Labre (PSL-RJ) e Major Fabiana (PSL-RJ) seguirão o chefe do Executivo federal no partido que ele se filiar. “Do lado de cá, a gente simplesmente acompanha e espera a decisão do presidente Bolsonaro. Assim que ele tiver um partido, vamos com ele”, afirmou Jordy à reportagem.