67% das vagas publicadas na Gupy foram preenchidas por mulheres, pessoas não-brancas, LGBTQIA+ e PCDs entre agosto e setembro. Contratações focadas em diversidade caminham a passos lentos
Alexander Suhorucov/Pexels
Levantamento da empresa de tecnologia para recursos humanos Gupy mostra que, entre agosto e setembro, 67% das vagas de emprego publicadas na plataforma foram preenchidas por mulheres, pessoas não-brancas (negras, pardas, amarelas e indígenas), pessoas LGBTQIA+ e com deficiência. O crescimento foi de 127,8% em comparação ao volume de contratações em 2020.
Veja abaixo a variação nas contratações em agosto e setembro em relação a junho e julho:
Indígenas: 107,32%
Amarelos: 71,02%
Pardos: 52,68%
Pretos: 42,01%
LGBTQIA+: 27,63%
Mulheres: -17,73%
Pessoas com deficiência:-0,25%
Segundo os dados acima, todos os grupos tiveram crescimento nas contratações, com exceção das mulheres e pessoas com deficiência.
No caso das mulheres, entre agosto e setembro houve um pico de contratações nos setores de varejo, tecnologia da informação, agronegócio e indústria no geral. A área de TI é a que tem a menor presença feminina, e as demais apresentaram um volume maior de contratações de homens na área de operação. Isso pode explicar a queda na contratação de mulheres.
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Já na comparação por cargos, o de operador foi o que gerou o maior volume de emprego para pessoas negras (48,79%), LGBTQIA + (38,42%) e mulheres (38,11%). O recorte é esperado por se tratar do cargo com maior volume de vagas na plataforma.
Para cargos de liderança, as mulheres tiveram uma participação maior em relação ao total de contratações. Veja abaixo:
Contratações nos cargos de liderança
Economia g1
Para Guilherme Dias, CMPO e cofundador da Gupy, ainda há muito o que melhorar para que subir esses números.
Entre as pessoas negras contratadas, 3,19% das vagas eram para cargos de liderança comparando com o total dos demais cargos (operação, auxiliar, analista, especialista, etc) para o mesmo grupo. Foi a porcentagem mais baixa entre os grupos pesquisados. Entre a população LGBTQIA+, o percentual foi de 3,87%. Já o percentual de mulheres em cargos de liderança dentro do total de contratações em todos os cargos direcionadas para elas foi de 4,62%.
Vagas afirmativas crescem
“Mas muitas empresas já estão fazendo a sua parte para mudar esta realidade”, diz Dias.
Segundo Dias, apenas no primeiro semestre, várias vagas afirmativas direcionadas para grupos minorizados foram publicadas na Gupy, entre elas: 38,97% para pessoas negras, 23,53% especificamente para mulheres negras e 37,5% para a população LGBTQIA+.
Por áreas de atuação, as mulheres lideraram as contratações em operação (30,51%), pessoas LGBTQIA + em customer success (30,88%) e pessoas negras nas admissões em tecnologia (27,97%).
“Das mais de 40 mil pessoas candidatas analisadas neste levantamento, ver que 27,97% das pessoas negras foram contratadas para a área de tecnologia é algo maravilhoso. Este número ainda não representa todo o mercado de trabalho, e sim uma tendência que já vemos em muitas empresas, mas pelos números do crescimento da diversidade nos processos seletivos nos últimos dois meses, acredito que estamos no caminho certo para melhorar a empregabilidade no Brasil por meio de contratações mais justas, diversas e inclusivas”, diz Dias.